sábado, abril 22, 2006




Em Busca do Sentido da Vida
Por Odair José Comin

O sentido da vida é tão amplo quanto o próprio viver, e sem esse sentido a vida perde seu gosto, perde seu sabor, perde-se a vontade de viver, e abreviar a vida, torna-se uma constante. Não damos sentido à vida, mas sim o encontramos, isso, na medida em que o procuramos, e essa busca se faz presente quando há questionamentos, quando vamos em busca de resolver o que chamamos de dúvidas existenciais. Quem somos? Para que vivemos? Pelo o que vale a pena viver? Pelo o que vale a pena morrer? Cada Ser busca dentro de si uma resposta, um sentido. Vive-se, porque viver é um grande presente e não podemos dizer não à um presente. Vive-se, porque temos pais, esposas, filhos para prover. Vive-se, porque não cumprimos nossa missão. Vive-se porque é bom, é prazeroso; porque se é feliz; simplesmente vive-se... Morre-se pela liberdade, morre-se pela paixão, por amor, morre-se pelas crenças, de que há algo melhor depois da morte. ?Mesmo o suicida busca a felicidade em seu derradeiro fim? expõe Sponville. Entretanto, busquemos aqui, razões para a vida, para viver.

Em diferentes momentos da vida, nos deparamos com limites, fronteiras que se impõe a nossa frente como gigantes. Por vezes enfrentamos, vamos além, por vezes paralisamos ou mesmo recuamos. É a vida nos proporcionando desafios, nos proporcionando motivos para nos surpreendermos conosco mesmos. Surpreende-se aquele que pára, por nunca ter parado; surpreende-se àquele que anda, por nunca ter andado. Surpreende-se aquele que vê, e sente-se capaz de fazer, o que antes não fazia. Surpreende-se aquele que cansado de recuar, enfrenta seu medo com coragem. A vida é uma grande roda, e ela não pára antes de chegar ao seu destino, em suas voltas, o Ser Humano se descobre e por vezes se cobra de querer algo mais: um sentido para esse rodar.
Valores que dão sentido à vida

Viktor Frankl, foi criador da Logoterapia, muito escreveu e falou sobre o sentido da vida. Frankl chegou a três categorias de valores, que podem estar possibilitando a descoberta de sentidos para a vida. São eles, os valores criadores, vivenciais e de atitude:

Criadores: Os valores criadores estão ligados ao trabalho, a ação, a produção de algo. Proporcionando ao indivíduo a possibilidade de sentir-se útil e ser preenchido por uma atividade que lhes traga prazer e satisfação para si próprio, e para os seus. Muitas vezes, as pessoas estão fora do mercado de trabalho e por isso sentem-se inúteis, perdem o sentido da vida. Idosos que não se prepararam para a aposentadoria sentem-se inúteis, não vêem gosto e sentido para a vida, chega a doença e a possibilidade da morte para um vivente já sem razões de viver. Há que se buscar razões, sentido para que a vida tenha uma continuidade. Para ter continuidade, é necessário ter motivos, estes que nos permitem usufruir o presente com prazer e termos esperança quando em sofrimento.

Vivenciais: Os valores vivenciais, são nossas experiências de vida, nossos momentos de plena satisfação, o alpinista que chega ao cume do monte, o universitário que chega à formatura, o viajante que chega em seu destino, a criança que ganha o presente tão esperado, o pintor que termina sua obra de arte, o camponês que colhe sua plantação, ou seja, aquele momento em que podemos dizer a nós mesmos: ?que bom que estou vivo para presenciar esse momento!? Nesse instante, a vida nos parece cheia de sentido, rimos à toa pela vitória alcançada. É premente salientar, que o mais importante é o modo como vivemos a nossa vida, e como preenchemos o lugar onde estamos inseridos e se esse lugar nos preenche. Não importa o tamanho da nossa atuação ou conquista, mas sim, se conseguimos desenvolver nossas atividades de modo coerente e prazeroso. Se conseguirmos obter pequenas vitórias, provavelmente estas, estarão rodeadas de grande sentido para a vida. Como o garimpeiro que fica feliz mesmo com poucas quantidades de ouro, todos poderíamos ser garimpeiros da vida, separando o ouro das impurezas, o que é bom do que nos faz mal, e guardarmos apenas o ouro, e com este fazermos as mais belas jóias, usufruindo ao máximo o que estas podem nos proporcionar, isto é, a própria felicidade.

Atitudes: Os valores de atitudes são as posturas que temos perante a vida: ativa ou passiva. Frente a um diagnóstico de câncer, por exemplo, podemos ter uma atitude passiva e desistirmos da vida, achar que ela realmente chegou ao fim, e que não há mais nada a se fazer, ou seja, a aceitação de uma morte por antecedência, uma desistência da vida antes de seu fim. Não há dúvidas de que desta forma, a vida realmente possa perder o sentido, e com isso seja abreviada. Talvez, nem tanto pelo câncer, mas sim pela postura frente a ele, a atribuição de um poder que é seu e a partir dai passa a ser da doença, juntamente com o veredicto de morte, apesar de tanto o júri quanto o juiz ser você mesmo. É como se a doença encontra-se um aliado, caminhando juntos para a auto-destruição. Isso não só com o câncer, também no caso de uma depressão, baixa auto-estima, desemprego, pânico, que podem trazer uma falta de sentido à vida. Ao contrário, aquele que possui uma postura ativa frente à vida, mesmo com um diagnóstico como os citados, encontrará um sentido para continuar vivendo e lutará pela sua saúde. Assim, poderíamos dizer que as pessoas com postura passiva, acabam por ir em direção à morte, enquanto as de postura ativa vão de encontro à vida.

Achei este texto bastante reflexivo.
Pensemos. Qual sentido da nossa vida?

Beijos para todas as energias que aqui se fizerem presentes.